Dezembro de 2025 chegou e, com ele, um presente indesejado, porém previsível, para a população paulista: o escuro. O vendaval que varreu o estado não levou apenas árvores e telhados; levou consigo a pouca paciência que restava ao cidadão em relação às autoridades que deveriam zelar pelo funcionamento básico da sociedade. O que vemos hoje em São Paulo, e de forma dramática em Embu das Artes, não é apenas um "desastre natural". É um desastre de gestão.
A Omissão Estadual
No Palácio dos Bandeirantes, a gestão Tarcísio de Freitas parece ter adotado a tática da "terceirização da culpa". Diante de milhões de paulistas sem energia, a resposta do governo estadual tem sido reativa e burocrática. Criticar a Enel em coletivas de imprensa e sugerir intervenções federais soa como música aos ouvidos indignados, mas não acende nenhuma lâmpada.
O governo estadual falha em seu papel primordial: o de fiscalizador implacável e planejador. Onde está o plano de contingência climática que São Paulo desesperadamente precisa? A privatização e as concessões, bandeiras desta gestão, prometiam eficiência, mas entregaram colapso. A Sabesp, agora sob nova direção, também falha no bombeamento de água por falta de luz, expondo a fragilidade de um sistema interdependente que o Estado lavou as mãos de coordenar. O governador age como um comentarista da crise, e não como o chefe do Executivo que deveria ter preparado o estado para eventos climáticos que a ciência avisa há anos que seriam frequentes.
O Palco em Embu das Artes
Se no nível estadual falta pulso, em Embu das Artes sobra teatro e falta zeladoria. A cidade é, proporcionalmente, uma das mais castigadas da Grande São Paulo, com bairros inteiros — como Jardim Laila, Castilho e Santa Emília — mergulhados na escuridão há dias.
A atual gestão municipal, herdeira política de um grupo que comanda a cidade há anos, protagoniza cenas de indignação performática, com acampamentos em frente à sede da concessionária. Mas o cidadão embuense deve se perguntar: onde estava a prevenção? Protestar contra a Enel agora é válido, mas não apaga o fato de que a manutenção da cidade, a poda preventiva de árvores (responsabilidade municipal) e o planejamento urbano foram negligenciados.
Ver o prefeito acampado pode gerar likes nas redes sociais, mas não salva a insulina estragada na geladeira do morador do Itatuba, nem garante o banho quente do trabalhador que chega exausto. Embu das Artes sofre não só com a incompetência da Enel, mas com uma administração municipal que parece governar para a audiência, enquanto a infraestrutura real da cidade pede socorro.
O blecaute de 2025 não é culpa do vento. É o resultado sombrio de um Estado que se exime de responsabilidade e de municípios que trocam a prevenção pelo espetáculo. Enquanto Tarcísio aponta para Brasília e a prefeitura de Embu monta barraca na porta da Enel, o povo continua, literalmente, pagando a conta no escuro.
Por Arthur Serapião


