O pedido de informações, protocolado pelo vereador de oposição Uriel Biazin (PT), visava trazer transparência sobre as negociações que são alvo da Operação Legere, deflagrada pela PF no último dia 29 de outubro. No entanto, o requerimento foi barrado por maioria, com o voto contrário de todos os vereadores que compõem a base aliada do atual prefeito Hugo Prado.
🔍 Recapitulando a Operação da PF
A Operação Legere investiga um esquema criminoso de fraude em licitação, superfaturamento e desvio de dinheiro público na compra de livros didáticos por prefeituras. Embu das Artes foi um dos municípios paulistas apontados no centro do esquema.
A ação da PF cumpriu mandados de busca e apreensão na cidade e em outros locais, mirando empresas e indivíduos suspeitos de manipular contratos para inflar os valores dos materiais escolares. Os investigados podem responder por crimes graves, como falsidade ideológica, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
🚫 Blindagem na Câmara
Durante a sessão, o vereador Uriel Biazin argumentou que o requerimento era um ato de dever cívico e de fiscalização, essencial para garantir que a população tivesse acesso aos documentos que poderiam esclarecer o envolvimento da Prefeitura no esquema milionário.
No entanto, com a votação, a base governista atuou de forma decisiva para impedir que a Prefeitura prestasse esclarecimentos oficiais e tornasse públicos os contratos sob suspeita, muitos dos quais, segundo as investigações da Polícia Federal, envolveriam empresas ligadas a familiares da vice-prefeita Dra. Bete, e suposta participação do vereador Natinha (Republicanos), marido de Dra. Bete e membro da base aliada. A manobra impede, pelo menos por enquanto, que os documentos sejam analisados publicamente pelo Legislativo.
📢 Crítica: A Escolha do Lado Errado
A atitude dos vereadores da base do governo na Câmara Municipal de Embu das Artes é mais do que um ato político: é uma declaração de prioridades que se coloca frontalmente contra o interesse público.
Ao derrubar o requerimento que exigia transparência sobre os contratos de compra de livros didáticos, esses parlamentares optaram por blindar a gestão municipal e proteger nomes envolvidos nas suspeitas de corrupção e desvio. Eles escolheram a lealdade ao grupo político em detrimento da fiscalização de recursos que deveriam ser aplicados na educação das crianças da cidade.
Em um momento em que a Polícia Federal expõe um esquema de fraude milionária, a população esperava que seus representantes agissem com rigor, cobrando cada centavo desviado e exigindo apuração imediata. Em vez disso, a base aliada se transformou em um muro de proteção para os possíveis envolvidos.
O voto contra a transparência sinaliza para o munícipe que, no entendimento desses vereadores, a defesa de políticos sob suspeita é mais importante do que o direito do povo de saber como o dinheiro público foi gasto. Essa postura não apenas enfraquece a credibilidade da Câmara, como também alimenta a cultura de impunidade. O papel de um vereador é fiscalizar, não proteger. E ao agir desta forma, a base do governo faz uma escolha que, no futuro, deverá ser julgada pela própria população.
Nos últimos anos, a população embuense se acostumou a ver a cidade nas páginas policiais, sempre ligando o grupo político, que já está no terceiro mandato, à fraudes em licitações, desvio de dinheiro público e outros crimes, sempre envolvendo o mais alto escalão do governo e até mesmo vereadores aliados. A operação Legere é apenas mais um capítulo neste triste período histórico que vive a cidade de Embu, que entre outras coisas, já perdeu até mesmo o status de Instância Turística, por pura incompetência e descaso governamental. Mais do que o título, a cidade perde também verbas federais para o turismo e a cultura, uma vez que o governo de plantão demonstra que a principal fonte de renda da cidade não é sua prioridade.
A cada ano que pessa fica mais claro que este governo e seus aliados estão mais preocupados em se perpetuar no poder e enriquecer às custas do contribuinte embuense, do que cuidar da cidade e fazer uma gestão responsável para o bem de todos que vivem nela. A pergunta que fica é: Depois de perder até o nosso sobrenome "Das Artes", o que restará quando este grupo deixar o poder?
Por Ycaro Oliveira.

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