quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Polícia Federal mira esquema de fraude em livros didáticos em Embu das Artes; Vereador Uriel Biazin cobra explicações da Prefeitura

 

A Polícia Federal (PF) deflagrou na última quarta-feira, 29 de outubro de 2025, a Operação Legere, com o objetivo de desarticular um grupo suspeito de fraudar contratos de aquisição de livros didáticos por prefeituras. Embu das Artes, foi um dos municípios paulistas envolvidos no esquema criminoso.

Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo (SP) e Salvador (BA). A investigação aponta para um esquema de superfaturamento na venda de livros para diversas administrações municipais. Os investigados poderão responder por crimes como falsidade ideológica, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os mandados foram cumpridos no gabinete da Deputada Federal Ely Santos (Republicanos), irmã do ex prefeito Ney Santos, no gabinete do vereador Natinha (Republicanos) e em uma imobiliária pertencente à parentes da Vice Prefeita Elisabete Alves Carvalho, conhecida como Dra. Bete, que também é esposa do verador Natinha.

Em resposta à operação, o vereador de oposição de Embu das Artes, Uriel Biazin (PT), protocolou um pedido formal de explicações à Prefeitura. O parlamentar cobra detalhes sobre os contratos de livros didáticos sob suspeita e as medidas que serão adotadas pela gestão municipal para apurar e responsabilizar os envolvidos.


Opinião: O Cansaço de um Ciclo Policial

Mais uma vez, o nome de Embu das Artes é arrastado para o noticiário nacional, não por alguma conquista social ou avanço na qualidade de vida, mas sim por suspeitas graves de corrupção. A Operação Legere, da Polícia Federal, que investiga fraudes e superfaturamento na compra de livros didáticos, expõe uma ferida que insiste em não cicatrizar na cidade: a gestão pública marcada pela sombra das investigações.

O que se repete é um roteiro que se tornou lamentavelmente familiar aos munícipes: contratos milionários, suspeita de desvios e, no centro, novamente, pessoas do mais alto escalão do grupo político de Ney Santos. A menção de que o esquema estaria ligado ao grupo político do ex-prefeito apenas reforça a percepção de que há um modus operandi arraigado, uma cultura de impunidade que parece blindar os responsáveis.

O dano causado por esses esquemas vai muito além das cifras desviadas. Atinge diretamente a educação das nossas crianças — o futuro da cidade — que, em vez de receberem o melhor material didático pelo preço justo, são vítimas de contratos supervalorizados que beneficiam empresários e políticos inescrupulosos. O dinheiro que deveria estar em sala de aula, na merenda de qualidade ou na infraestrutura escolar, escorre pelos ralos da corrupção.

A cobrança de explicações feita pelo vereador Uriel Biazin é o mínimo que se espera de um representante do povo, mas a sociedade de Embu das Artes precisa de mais do que notas de repúdio e pedidos de informação. É preciso romper este ciclo vicioso.

É exaustivo e profundamente frustrante ver que, a cada novo mandato, a primeira página do jornal local é dominada por inquéritos e operações policiais. O povo de Embu das Artes merece, urgentemente, gestores que priorizem o serviço público de qualidade, a honestidade e a transparência. Merece um governo que se dedique a construir um futuro para a cidade, em vez de se defender no presente das sombras do passado. Que a Polícia Federal avance e que a Justiça puna os responsáveis, para que a cidade possa, finalmente, virar essa página e se libertar do cansaço crônico da corrupção.

Por Ycaro Oliveira.

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