sábado, 3 de maio de 2025

Mãe Busca Justiça por Filha Autista com Dedos Quebrados em Escola de Embu das Artes e Denuncia Descaso do Poder Público

 


A rotina de cuidados e desafios enfrentados por Fran, mãe de Távila, uma jovem autista de  grau 3 não verbal de 29 anos com grave comprometimento neurológico, ganhou contornos ainda mais dolorosos no último mês de maio. Ao retornar para casa do Centro Educacional para Pessoas com Deficiência Armando Vidigal, instituição municipal de Embu das Artes onde está matriculada, Távila apresentava sinais claros de agitação e expressava seu desconforto através de gritos. A angústia de Fran aumentou ao perceber que a filha não permitia que suas mãos fossem tocadas, demonstrando sentir fortes dores no local. A confirmação veio após consulta médica: Távila teve quatro dedos quebrados, dois em cada mão.




Diante da gravidade da situação, Fran buscou respostas na escola. A diretora, no entanto, alegou desconhecimento sobre o ocorrido. A mesma resposta evasiva veio dos responsáveis pela perua escolar que realiza o transporte diário de Távila. Indignada com a falta de informações e, principalmente, com a ausência de qualquer apoio ou explicação por parte das instituições envolvidas, Fran procurou a Secretaria de Educação de Embu das Artes. Para sua frustração, a denúncia do caso não gerou nenhuma providência, nenhuma investigação interna e sequer um pedido de desculpas por parte do poder público municipal.

Após mais de 20 dias de silêncio e omissão, a dor e a indignação de Fran a levaram a registrar um boletim de ocorrência. Determinada a buscar justiça para sua filha, ela pretende acionar as vias legais para responsabilizar os envolvidos pelo grave ferimento de Távila.

Omissão e Descaso: A Falta de Resposta do Poder Público

A inércia da Prefeitura de Embu das Artes e de sua Secretaria de Educação diante de um caso tão sério demonstram o nível de comprometimento do governo Hugo Prado com a segurança e o bem-estar dos alunos, especialmente aqueles com necessidades especiais. A ausência de uma investigação imediata, de apoio à família e de transparência na apuração dos fatos demonstra um alarmante descaso com a situação vulnerável de Távila e com a angústia de sua mãe.

A falta de ação não apenas agrava o sofrimento da família, mas também expõe a prefeitura a sérias consequências legais. A negligência em garantir a segurança dos alunos dentro de suas instituições de ensino pode configurar omissão de socorro e negligência, sujeitando o município a ações judiciais por danos morais e materiais. A Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garantem o direito à integridade física e moral, bem como a proteção especial às pessoas com deficiência, responsabilizando o poder público por eventuais violações.

Um Histórico de Problemas na Educação de Embu das Artes

O caso de Távila não é um incidente isolado no cenário da educação municipal de Embu das Artes. Nos últimos anos, têm sido recorrentes as notícias e denúncias de problemas que afetam diretamente a qualidade do ensino e o bem-estar dos alunos.

Relatos de atrasos na entrega de kits de material escolar e uniforme são frequentes, prejudicando o início do ano letivo para muitas famílias. As condições precárias dos prédios das escolas, com infraestrutura deficiente e falta de manutenção, também são motivo de preocupação para pais e educadores. Além disso, profissionais da área da educação já se queixaram diversas vezes de atraso no pagamento de salários e benefícios.

Um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) reprovou as contas do ex-prefeito Ney Santos, apontando para a falta de investimento adequado na educação. Soma-se a isso as suspeitas de fraude em licitações de contratos públicos, levantando dúvidas sobre a destinação correta dos recursos para a área educacional.

A gestão municipal também tem sido alvo de críticas e processos por supostamente utilizar verbas do município para shows e eventos de artistas famosos com cachês milionários, em detrimento de investimentos prioritários em áreas essenciais como educação, saúde, transporte e saneamento básico. Essa aparente inversão de prioridades demonstra um descaso com as necessidades fundamentais da população, incluindo a educação de seus jovens e crianças, que já vem desde a gestão passada e que se mantém na atual gestão. Vale lembrar, que o atual prefeito Hugo Prado, era vice-prefeito de Ney Santos, prefeito que teve as contas reprovadas pelo TCE por mau uso do dinheiro público, além de um rombo milionário na caixa de previdência dos servidores municipais (EMBUPREV).

O caso de Távila, portanto, escancara não apenas a falha individual na assistência a uma aluna com necessidades especiais, mas também um contexto mais amplo de possíveis negligências e falta de prioridade com a educação no município de Embu das Artes. A luta de Fran por justiça pode se tornar um catalisador para que a sociedade e as autoridades competentes voltem seus olhos para as demandas urgentes da educação na cidade, garantindo um futuro mais digno e seguro para todos os seus estudantes.


Por Ycaro Oliveira, para o Espalha Fatos.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Câmara de Embu das Artes Ignora TCE e Blinda Contas de Ney Santos. Promessa de Independência do Legislativo Desmorona

Em uma manobra que desafia o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e a lógica da responsabilidade fiscal, a Câmara Municipal de Embu das Artes aprovou as contas do ex-prefeito Ney Santos referentes ao ano de 2024, mesmo diante de um parecer técnico contundente que apontava para um rombo milionário e diversas irregularidades.1 A decisão, tomada por 17 votos a 3, lança uma sombra sobre a independência do legislativo municipal e levanta sérias questões sobre o futuro da cidade.

O TCE, em seu parecer, listou seis graves problemas na gestão de Ney Santos:

  1. Rombo Milionário nas Contas Públicas: Um buraco financeiro de proporções alarmantes, que compromete a capacidade da prefeitura de investir em serviços essenciais.
  2. Gastos com Pessoal Acima do Permitido por Lei: Despesas exorbitantes com a folha de pagamento, que desviam recursos de áreas prioritárias.
  3. Falta de Investimentos em Saúde e Educação: A negligência em setores cruciais, que afeta diretamente a qualidade de vida dos cidadãos.
  4. Contratos e Licitações Sob Suspeita: Indícios de irregularidades em processos de contratação, que levantam dúvidas sobre a lisura da gestão.
  5. Dívida Previdenciária em Escalada: Um passivo crescente, que ameaça a sustentabilidade do sistema previdenciário municipal.
  6. Transparência Zero na Gestão Municipal: A falta de clareza e acesso à informação, que impede o controle social e a fiscalização dos gastos públicos.

Apesar da gravidade das acusações, a maioria dos vereadores optou por ignorar o parecer do TCE, em um claro sinal de lealdade ao ex-prefeito. Apenas os vereadores Uriel Biazin, Abdan Henrique e Diego Paixão votaram contra a aprovação das contas.

Promessa de Independência Desmorona

No início do mandato, 11 vereadores formaram um grupo que prometia independência do poder legislativo, rompendo com anos de subserviência ao executivo. No entanto, a votação das contas de Ney Santos revelou a fragilidade dessa promessa. Nove dos 11 vereadores que se autodenominavam independentes se alinharam ao ex-prefeito, demonstrando que ele ainda exerce forte influência na política local.

Ney Santos tem claras intenções de se candidatar à Deputado Federal no pleito do ano que vem. Caso suas contas fossem rejeitadas pela Câmara de Embu das Artes, ele ficaria inelegível por 8 anos, de acordo com a Lei da Ficha Limpa. A controversa aprovação das contas do ex-prefeito, é um claro sinal de que esse mesmo grupo que prometeu independência do Poder Legislativo municipal, pretende apoiar Ney Santos nas próximas eleições e continuar a política de servidão inquestionável e lealdade canina, mesmo que a cidade tenha que continuar a sofrer com legado nefasto da administração Ney Santos-Hugo Prado.


Problemas Persistentes na Cidade:


Com a decisão, os vereadores passam por cima dos problemas enfrentados diáriamente pela população embuense. Tais como:

  • Saúde: Hospitais sobrecarregados, falta de medicamentos e longas filas de espera são realidade na cidade.
  • Educação: Escolas com infraestrutura precária, falta de professores e baixo desempenho dos alunos são desafios constantes.
  • Transporte: O transporte público é caótico, com ônibus lotados e poucas opções de horários, além de veículos velhos que apresentam problemas constantemente e não são adequados para atender os munícipes.
  • Infraestrutura: Buracos nas ruas, falta de saneamento básico e problemas de iluminação pública são queixas frequentes dos moradores.

A decisão da Câmara Municipal de Embu das Artes representa um retrocesso para a democracia e a transparência na cidade. A população, que já sofre com os problemas decorrentes da gestão anterior, agora se vê diante de um futuro incerto, onde a política de servidão e a lealdade canina parecem prevalecer sobre o interesse público.

Por Ycaro Oliveira, para o Espalha Fatos.