domingo, 4 de maio de 2025

Com Lula, Brasil Salta 47 Posições em Ranking de Liberdade de Imprensa. Trump, Milei e Boluarte fazem EUA, Argentina e Peru Despencarem

 

Brasil Escala Posições em Ranking de Liberdade de Imprensa, Enquanto Américas Sofrem Retrocessos

A divulgação da atualização do ranking anual de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) revela um cenário contrastante nas Américas. O Brasil apresentou uma melhora significativa, galgando posições importantes, enquanto países como Estados Unidos, Argentina e Peru enfrentaram um declínio preocupante no quesito.

O Brasil saltou notáveis 19 posições no último ano, alcançando a 63ª colocação em 2025, ante o 82º lugar em 2024. Se retrocedermos a 2022, a ascensão é ainda mais expressiva, com um avanço de 47 posições (o país ocupava a 110ª posição). A Repórteres Sem Fronteiras atribui essa evolução positiva a um ambiente menos hostil para o exercício do jornalismo após o fim do governo Bolsonaro.

O período do governo Bolsonaro no Brasil (2019-2022) foi marcado por uma escalada de ataques à imprensa, com o próprio ex-presidente liderando uma campanha de descredibilização e hostilidade contra jornalistas e veículos de comunicação. Essa postura agressiva deixou um legado preocupante para a liberdade de imprensa no país.

Os ataques de Bolsonaro à imprensa se manifestaram de diversas formas:

  • Ataques verbais e descredibilização: O ex-presidente frequentemente se referia à imprensa como "inimiga", "lixo" e propagadora de "fake news", buscando minar a credibilidade do trabalho jornalístico.
  • Ameaças e intimidações: Jornalistas que faziam críticas ao governo eram alvos de ameaças e intimidações, tanto por parte do próprio Bolsonaro quanto de seus apoiadores.
  • Restrição ao acesso à informação: O governo Bolsonaro dificultou o acesso da imprensa a informações oficiais, restringindo coletivas de imprensa e limitando a transparência.
  • Incentivo à violência: A retórica agressiva do ex-presidente contribuiu para um ambiente de hostilidade contra jornalistas, com casos de agressões físicas e verbais por parte de seus apoiadores.

Esses ataques tiveram um impacto negativo na liberdade de imprensa no Brasil, criando um clima de medo e autocensura entre os jornalistas. A imprensa livre desempenha um papel fundamental na democracia, e os ataques de Bolsonaro representaram uma ameaça a esse pilar democrático.

A melhora do Brasil no ranking da Repórteres Sem Fronteiras após a saída de Bolsonaro do poder demonstra o impacto negativo que o governo anterior teve na liberdade de imprensa do país.


Inimigos da Liberdade e da Democracia

Donald Trump, presidente dos EUA

Em contrapartida, a liberdade de imprensa nos Estados Unidos demonstrou sinais de fragilidade, com uma queda de duas posições em comparação com 2024, e 4 posições se retrocedermos até 2022, fixando o país no 57º lugar. A RSF expressa preocupação com a deterioração do ambiente para a imprensa sob o retorno de Donald Trump à presidência, citando ataques verbais e cortes de financiamento a veículos de comunicação públicos como fatores contribuintes.

Javier Milei, Presidente da Argentina

A situação é ainda mais alarmante na Argentina, que sofreu um recuo acentuado de 21 posições, caindo para o 87º lugar no ranking global. A organização aponta a estigmatização de jornalistas, o desmantelamento de órgãos de mídia estatais e a utilização da publicidade oficial como ferramenta de pressão política pelo governo de Javier Milei como elementos centrais dessa regressão.

Dina Boluarte, Presidente em exercício do Peru

Peru também registrou uma queda drástica de 53 posições desde 2022, amargando agora a 130ª colocação. A Repórteres Sem Fronteiras destaca o crescente assédio judicial contra jornalistas, a proliferação de campanhas de desinformação e o aumento da pressão sobre a mídia independente como fatores que minam a liberdade de imprensa no país andino.

A recente divulgação do ranking da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) expõe um padrão preocupante: o declínio da liberdade de imprensa em países governados por políticos de direita nas Américas. A queda nos Estados Unidos, Argentina e Peru, sob as lideranças de Donald Trump, Javier Milei e Dina Boluarte, respectivamente, demonstram o impacto de suas políticas no ambiente midiático, com perseguição institucional e violência contra a liberdade de imprensa, além de um esforço evidente pelo controle na divulgação de informação.

Nos Estados Unidos, a retórica agressiva de Trump contra a mídia, classificada por ele como "inimiga do povo", juntamente com cortes no financiamento de veículos públicos, sinaliza um ataque direto ao papel crucial da imprensa na democracia. Na Argentina, Milei, com sua postura de estigmatização de jornalistas e desmantelamento da mídia pública, demonstra um desprezo alarmante pela pluralidade de vozes. No Peru, Boluarte, em meio a acusações de repressão a protestos, vê a liberdade de imprensa se deteriorar sob o peso do assédio judicial à profissionais da imprensa e da desinformação.

Esse cenário exige uma reflexão profunda sobre o papel da direita na salvaguarda da liberdade de imprensa. A retórica anti-establishment e o populismo, frequentemente associados a esses líderes, parecem se traduzir em ações que minam o direito fundamental à informação. A imprensa livre, pilar da democracia, não pode ser refém de agendas políticas que buscam silenciar vozes dissonantes.


Brasil Ainda Ocupa Posição "Problemática"

Apesar da melhora observada no Brasil, a RSF ressalta que o país ainda se encontra na zona laranja do ranking, indicando uma situação classificada como "problemática" para a liberdade de imprensa. O panorama global também é sombrio, com a média mundial de liberdade de imprensa atingindo o seu pior patamar histórico no ranking de 2025, com mais de 60% dos países avaliados apresentando retrocessos.

Este cenário complexo nas Américas sublinha a volatilidade da liberdade de imprensa e a necessidade de vigilância constante para garantir o livre exercício do jornalismo em um ambiente seguro e plural.


Por Ycaro Oliveira, para o EspalhaFatos.

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