Brasil Escala Posições em Ranking de Liberdade de Imprensa, Enquanto Américas Sofrem Retrocessos
A divulgação da atualização do ranking anual de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) revela um cenário contrastante nas Américas. O Brasil apresentou uma melhora significativa, galgando posições importantes, enquanto países como Estados Unidos, Argentina e Peru enfrentaram um declínio preocupante no quesito.
O Brasil saltou notáveis 19 posições no último ano, alcançando a 63ª colocação em 2025, ante o 82º lugar em 2024. Se retrocedermos a 2022, a ascensão é ainda mais expressiva, com um avanço de 47 posições (o país ocupava a 110ª posição). A Repórteres Sem Fronteiras atribui essa evolução positiva a um ambiente menos hostil para o exercício do jornalismo após o fim do governo Bolsonaro.
O período do governo Bolsonaro no Brasil (2019-2022) foi marcado por uma escalada de ataques à imprensa, com o próprio ex-presidente liderando uma campanha de descredibilização e hostilidade contra jornalistas e veículos de comunicação. Essa postura agressiva deixou um legado preocupante para a liberdade de imprensa no país.
Os ataques de Bolsonaro à imprensa se manifestaram de diversas formas:
- Ataques verbais e descredibilização: O ex-presidente frequentemente se referia à imprensa como "inimiga", "lixo" e propagadora de "fake news", buscando minar a credibilidade do trabalho jornalístico.
- Ameaças e intimidações: Jornalistas que faziam críticas ao governo eram alvos de ameaças e intimidações, tanto por parte do próprio Bolsonaro quanto de seus apoiadores.
- Restrição ao acesso à informação: O governo Bolsonaro dificultou o acesso da imprensa a informações oficiais, restringindo coletivas de imprensa e limitando a transparência.
- Incentivo à violência: A retórica agressiva do ex-presidente contribuiu para um ambiente de hostilidade contra jornalistas, com casos de agressões físicas e verbais por parte de seus apoiadores.
Esses ataques tiveram um impacto negativo na liberdade de imprensa no Brasil, criando um clima de medo e autocensura entre os jornalistas. A imprensa livre desempenha um papel fundamental na democracia, e os ataques de Bolsonaro representaram uma ameaça a esse pilar democrático.
A melhora do Brasil no ranking da Repórteres Sem Fronteiras após a saída de Bolsonaro do poder demonstra o impacto negativo que o governo anterior teve na liberdade de imprensa do país.
Inimigos da Liberdade e da Democracia
Donald Trump, presidente dos EUA |
Em contrapartida, a liberdade de imprensa nos Estados Unidos demonstrou sinais de fragilidade, com uma queda de duas posições em comparação com 2024, e 4 posições se retrocedermos até 2022, fixando o país no 57º lugar. A RSF expressa preocupação com a deterioração do ambiente para a imprensa sob o retorno de Donald Trump à presidência, citando ataques verbais e cortes de financiamento a veículos de comunicação públicos como fatores contribuintes.
Javier Milei, Presidente da Argentina |
A situação é ainda mais alarmante na Argentina, que sofreu um recuo acentuado de 21 posições, caindo para o 87º lugar no ranking global. A organização aponta a estigmatização de jornalistas, o desmantelamento de órgãos de mídia estatais e a utilização da publicidade oficial como ferramenta de pressão política pelo governo de Javier Milei como elementos centrais dessa regressão.
Dina Boluarte, Presidente em exercício do Peru |
O Peru também registrou uma queda drástica de 53 posições desde 2022, amargando agora a 130ª colocação. A Repórteres Sem Fronteiras destaca o crescente assédio judicial contra jornalistas, a proliferação de campanhas de desinformação e o aumento da pressão sobre a mídia independente como fatores que minam a liberdade de imprensa no país andino.
A recente divulgação do ranking da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) expõe um padrão preocupante: o declínio da liberdade de imprensa em países governados por políticos de direita nas Américas. A queda nos Estados Unidos, Argentina e Peru, sob as lideranças de Donald Trump, Javier Milei e Dina Boluarte, respectivamente, demonstram o impacto de suas políticas no ambiente midiático, com perseguição institucional e violência contra a liberdade de imprensa, além de um esforço evidente pelo controle na divulgação de informação.
Esse cenário exige uma reflexão profunda sobre o papel da direita na salvaguarda da liberdade de imprensa. A retórica anti-establishment e o populismo, frequentemente associados a esses líderes, parecem se traduzir em ações que minam o direito fundamental à informação. A imprensa livre, pilar da democracia, não pode ser refém de agendas políticas que buscam silenciar vozes dissonantes.
Brasil Ainda Ocupa Posição "Problemática"
Apesar da melhora observada no Brasil, a RSF ressalta que o país ainda se encontra na zona laranja do ranking, indicando uma situação classificada como "problemática" para a liberdade de imprensa. O panorama global também é sombrio, com a média mundial de liberdade de imprensa atingindo o seu pior patamar histórico no ranking de 2025, com mais de 60% dos países avaliados apresentando retrocessos.
Este cenário complexo nas Américas sublinha a volatilidade da liberdade de imprensa e a necessidade de vigilância constante para garantir o livre exercício do jornalismo em um ambiente seguro e plural.
Por Ycaro Oliveira, para o EspalhaFatos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário