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Hugo Prado (Republicanos) - Prefeito Eleito de Embu das Artes |
118.845 embuenses disseram NÃO a continuidade de Ney/Hugo no comando da cidade
As eleições municipais em Embu das Artes trouxeram um desfecho que, apesar de esperado por alguns, revelou uma clara divisão entre os eleitores. Hugo Prado (Republicanos), candidato apoiado pelo atual prefeito Ney Santos, foi eleito com 88.411 votos, garantindo o comando da cidade pelos próximos quatro anos. Contudo, uma análise detalhada dos números expõe que a maioria da população não escolheu Hugo para prefeito.
Apesar de Hugo Prado ter obtido uma votação expressiva, os outros candidatos somaram juntos 54.681 votos, com destaque para Rosângela Santos (PT), que alcançou 52.353 votos, mostrando força como principal adversária. Além disso, 8.722 eleitores votaram em branco e 12.069 anularam seus votos. Somados às 43.373 abstenções, o total de munícipes que não escolheram Hugo Prado como prefeito chega a impressionantes 118.845 pessoas. Este número supera em 30.434 o total de votos obtidos pelo candidato eleito.
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Fonte: TRE-SP |
O Peso da Abstenção e dos Votos Nulos
O alto índice de abstenção e votos nulos reflete a insatisfação de uma parcela significativa da população com os candidatos ou, especificamente, com a gestão Ney Santos/Hugo Prado. As 43.373 abstenções representam aproximadamente 27% do eleitorado da cidade, um percentual expressivo que sinaliza um desencanto ou desinteresse com o cenário político atual.
Além disso, o volume de votos em branco e nulos, somando mais de 20.000, é um claro indicativo de que muitos eleitores preferiram não se posicionar a favor de nenhum dos candidatos disponíveis.
Um Mandato com Desafios de Legitimidade
Apesar da vitória, Hugo Prado enfrentará um mandato desafiador. A ausência de apoio da maioria do eleitorado pode influenciar diretamente sua governabilidade e reflete claramente a insatisfação da esmagadora maioria do povo embuense com a situação da cidade. A gestão Ney Santos/Hugo Prado tem sido alvo de críticas, e os números das eleições sugerem que parte da população não vê com bons olhos a continuidade desse projeto político.
A principal rival de Hugo Prado, Rosângela Santos, emerge como uma figura de oposição forte, com respaldo suficiente para continuar pressionando por mudanças e fiscalizando as ações do novo governo.
O Recado das Urnas
Os resultados apontam para um cenário em que, embora o sistema eleitoral permita a vitória com a maioria dos votos válidos, a governabilidade exige a construção de um consenso mais amplo. O prefeito eleito precisará lidar com as demandas de um município onde mais de 50% dos eleitores não o escolheram.
Com desafios à vista, a gestão de Hugo Prado precisará se mostrar eficiente e sensível às demandas da população, priorizando diálogo e ações que atendam às expectativas de quem optou por outros candidatos ou sequer compareceu às urnas.
O recado das urnas é claro: a cidade de Embu das Artes busca por mudanças e espera uma gestão que represente todos os seus cidadãos, não apenas os que votaram no prefeito eleito.
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Rosângela Santos (PT) |
Rosângela Santos se consolida como principal força de oposição
Com os 52.353 votos conquistados nesta disputa, Rosângela Santos se consolida como a principal força de oposição da cidade. No pleito de 2020, ela já havia disputado o cargo ao executivo, atingindo os 27.178 votos. Mostrando grande força, Rosângela praticamente dobrou seu número de votos, além de demonstrar liderança reunindo um amplo grupo de apoio que englobaram inclusive os ex prefeitos da cidade Geraldo Cruz e Chico Brito e um grande número de partidos formando uma coligação robusta e coesa. Ainda conseguiu costurar um acordo com Gideon Santos, ex vereador da base aliada do prefeito Ney Santos, que foi lançado como seu vice.
Os feitos de Rosângela Santos neste pleito foram notáveis, principalmente quando levamos em consideração a diferença do poder econômico das duas campanhas e o fato de ter enfrentado a máquina em uma eleição em que tivemos a maior quantidade de prefeitos reeleitos e vitória de indicados dos últimos 20 anos.
Rosângela ainda enfrentou uma campanha suja de seus adversários, contando com disseminação de fake news a respeito de seu projeto social de moradia, vídeos difamatórios contra sua família e até mesmo destruição de seus materiais de campanha faltando apenas 1 semana para a votação.
Com tudo isso, o projeto da principal candidata de oposição concentrou a maioria dos votos dos embuenses que clamam por mudanças e viram nela a possibilidade de trazer novos ares para a administração da cidade.
Diante deste cenário, Rosângela se consolida como principal nome da oposição embuense para realizar o enfrentamento à situação, cobrar mudanças e melhorias na cidade e continuar a fiscalização dos atos do executivo.
Oposição terá mais cadeiras na câmara
Além da expressiva votação de Rosângela Santos e alta rejeição de Hugo Prado, a oposição tem mais motivos para olhar para o futuro com esperança. Candidatos de oposição ao governo conquistaram um maior espaço na câmara de vereadores.
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Uriel Biazin (PT) - Vereador Eleito |
Se na legislatura passada, Abdan Henrique foi o único vereador que não aderiu ao governo Ney Santos, agora são 4 cadeiras que serão ocupadas por políticos que deverão fazer embates com o governo.
O PT, depois de ter ficado pela primeira vez na história de Embu das Artes sem representantes no legislativo, voltará a ocupar uma cadeira na câmara. Uriel Biazin foi eleito com 1.470 votos e será o vereador mais jovem desta legislatura. Além dele, Gideon Jr (PV) e Diego Paixão (Podemos), foram eleitos na coligação formada por Rosângela Santos e também devem compor a bancada que fará oposição ao governo.
Discurso da situação não reflete a realidade
Apesar das comemorações efusivas, incluindo colocação de faixas pela cidade exaltando a vitória e ressaltando que Hugo Prado foi o prefeito mais votado da história da cidade, essas afirmações são apenas parcialmente verdadeiras.
Como dito acima, apesar da votação expressiva, a grande maioria da população não escolheu Hugo Prado para prefeito, o que mostra uma forte rejeição ao candidato e ao projeto político que ele representa.
Esse fato se choca diretamente com o discurso de Ney Santos e seus aliados de que a vitória é prova de que a população está do seu lado e tem aprovado sua gestão. Muito pelo contrário, mais de 50% do povo de Embu das Artes demonstrou na urna que não aprova a gestão de Ney Santos, e não queria Hugo Prado para dar continuidade ao projeto.
O resultado das urnas reflete a imensa insatisfação da população com as mais diversas carências da cidade, e, principalmente, que a população está atenta com os vários casos de corrupção envolvendo o governo Ney Santos, bem como as péssimas condições da saúde, transporte e serviços básicos de atendimento ao cidadão.
A oposição pode analisar os números extraídos desse processo eleitoral e penar em novas formas de tentar atingir o imenso número de eleitores insatisfeitos com a atual gestão, pois fica evidente que este grupo político está sendo beneficiado pelas abstenções e pelos votos brancos e nulos.
Apesar de verdadeira a afirmação de que Hugo foi o prefeito mais votado da história da cidade, é preciso levar em consideração o expressivo aumento no número de eleitores da cidade, que já ultrapassou os 200.000 mil eleitores, habilitando Embu das Artes, inclusive, para disputas de segundo turno, algo que não era possível em pleitos passados, justamente pela cidade não ter número suficiente de eleitores para isso. Portanto, qualquer prefeito que se eleja daqui para frente, pode ser, potencialmente, prefeito mais votado da história.
Além disso, é importante considerar também que, se por um lado Hugo obteve a maior votação da história, por outro lado também foi o mais rejeitado, pois como mostrado no início, 118.845 embuenses não o escolheram para governar a cidade pelos próximos 4 anos.
A maioria do povo embuense quer mudança, mas grande parte dessas pessoas está desacreditada da política, e é preciso reconquistar esses eleitores e convencê-los de que a mudança depende do voto, e que a oposição tem quadros viáveis para transformar a realidade da cidade.
Por Ycaro Oliveira para o EspalhaFatos.